NÃO DESFALEÇA!


Na segunda carta aos Coríntios, no capítulo 4, o Apóstolo Paulo assume uma postura muito bem definida em sua missão, como pregador da palavra. Não obstante a implacável batalha travada contra o deus deste século (v.4), que cega o entendimento dos homens, para que não lhes resplandeça a luz de Cristo, há um grito Paulino em tom de resposta a toda resistência inimiga na mente das pessoas, o qual diz: não desfalecemos!!! Desfalecer significa ficar cansado, ou tirar as forças. O apóstolo estava determinado a não se dobrar ante a oposição inimiga, ainda que tivesse que pagar alto preço por sua empreitada missionária.


No texto em questão, há quatro flechas que o adversário de nossa alma usa contra nós. Cada uma delas tem um veneno específico, que produz efeitos determinados. Em contrapartida, para cada uma delas Deus nos deu um poderoso escudo, o qual chamo de NÃO profético.


A primeira flecha é a tribulação, a qual produz como principal efeito uma terrível angústia. Expressão idêntica a tribulação aparece em 2 Coríntios 7.5, onde o referido termo é descrito como sendo “combates externos e temores internos”. Fica claro que esse era o conceito de tribulação na concepção apostólica. O termo angustiado é representado, na língua grega, pelos vocábulos: estreito e espaço. Portanto, a flecha da tribulação visa gerar uma angústia tal que a pessoa terá a sensação de estar dentro de uma sala, cujas paredes vão se movendo em sua direção, apertando-a até esmagá-la. No entanto, o escudo da promessa diz: “atribulados, porém NÃO ANGUSTIADOS”.


A segunda flecha inimiga chama-se perplexidade, que tem como efeito nefasto o desânimo paralisante. Segundo estudiosos, o adjetivo perplexo deriva de dois vocábulos gregos: não e caminho. Com isso entendemos que a perplexidade incapacita o lesionado alterando sua visão e lhe impedindo de enxergar uma saída. Essa cruel experiência se assemelha a sensação de estar num escuro labirinto. Isso leva a completa exaustão e ao total desânimo. Porém, o Senhor nos diz: “perplexo, porém NÃO DESANIMADOS”.


A terceira flecha é a perseguição, cujo efeito é a sensação de desamparo. O verbo perseguir traz a idéia de alguém que é caçado como um animal e lembra a expressão “laço do passarinheiro”, do salmo 91. A despeito de todo peso gerado pela tribulação que a todos acomete, o Espírito promete que em tempos de perseguição o Senhor nos amparará. Amparar significa: auxiliar, socorrer, ajudar, proteger, salvar e defender. Nesse sentido é que estamos guardados pela promessa do Senhor, na boca do apóstolo Paulo, nos assegurando que podemos até ser “perseguidos, porém NÃO DESAMPARADOS”.


A quarta flecha é o abatimento, cujo efeito é a destruição. Talvez essa flecha seja a pior de todas, pois visa destruir a pessoa totalmente. O verbo abater significa: humilhar, lançar por terra, derrubar, dar cabo de, enfraquecer, entristecer, rebaixar e matar. Todavia, Paulo reproduz a promessa divina que diz: “abatidos, porém NÃO DESTRUÍDOS”.


Tomemos posse destas promessas contra as quais as flechas dos adversários são inócuas. Creiamos que o nosso Deus nos livrará da tribulação, da perplexidade, da perseguição e do abatimento. Ademais, toda prova “produz para nós eterno peso de glória, acima de toda comparação” (v.17). Meu irmão, a palavra de Deus para ti é esta: não desfaleça!!! Avance, chore, creia, sofra; mas “não pare de lutar”.


Pr. Claudemir Vianna