Comportando-se como ave?
O capítulo 13 de Mateus traz duas parábolas
de Jesus que ilustram o comportamento típico das aves. Nos versículos
3 e 4, vemos que elas se ocupam de retirar do caminho as sementes (que simbolizam
a "palavra do reino", conforme esclarece o versículo 19)
que ali caíram, não deixando que as mesmas, portanto, cheguem
a frutificar. Já no versículo 19, Jesus ensina que esse "caminho"
é o coração humano, e que a ave é personificada
pelo próprio Maligno, que arrebata não todas as sementes ("palavras"),
mas apenas as que não foram entendidas. Que triste cenário,
que horrível comparação! Tal como as aves desejam que
as sementes caiam à beira do caminho, para que elas possam comê-las,
assim o Maligno aguarda palavras não entendidas pelo coração,
para que consiga "arrebatar". Em Mt 4.6, vemos, por exemplo, o
Diabo tentando Jesus utilizando parte das Escrituras, julgando que esse
último não as houvesse entendido.
Em outra parábola do mesmo capítulo 13, entre os versículos
31 e 32, de novo aparecem as aves em postura igualmente cômoda: quando
não conseguem atacar a semente e impedir que cresça, elas
se aninham nos seus ramos, de onde ficam à espera de mais alimento
(outras sementes). Não é à toa que Ef 4.27 recomenda:
"não deis lugar ao Diabo", e Tg 4.7 complementa: "...
resisti ao Diabo, e ele fugirá de vós".
A diferença que notamos entre o modo como a semente foi lançada
nos dois momentos dessas duas parábolas está no fato de que,
na primeira, ela "caiu no caminho", na segunda ela "foi semeada
no seu campo". Aí percebemos que tal diferença (cuja
responsabilidade e iniciativa estão nas mãos de quem semeia)
determina aquilo que a semente vai trazer para perto do semeador: se não
for "enterrada" (isto é, entendida por quem houve) não
irá "brotar" e atrairá aves, se for de fato semeada,
aí, sim, gerará árvores.
Valemos muito mais do que as aves; no entanto, aqueles que ainda não
se aperceberam disso tendem a estar ansiosos, motivo pelo qual Jesus argumenta
o que vemos em Mt 6.25-26. Portanto, não só devemos evitar
o comportamento das aves, mas também ter a consciência de que
não temos motivos para nos permitir "sentir mais ansiosos"
do que elas! Tal sentimento não mais condiz com aqueles que são
(e sabem que são) filhos de Deus.
Aquele que ao ler 1 Pe 5.6-7 descobre que tem ser humilhado diante da mão
de Deus tende a descobrir que essa mão é potente, que há
um tempo oportuno para o próprio Deus nos exaltar, tem argumento
de sobra para não se deixar ansioso, confiar num Deus que sabe como
cuidar de nós e, assim, perceber a superioridade entre o caráter
do salvo e o da “ave”!
Vigiemos também sobre os nossos sentimentos a esse respeito; assim
agindo, podemos acreditar que Deus há de nos abençoar ricamente.
Pr. Eduardo Colaço ( Pastor auxiliar da Igreja Maranata da Tijuca )
